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Inácio de Loyola e o caminho da liberdade, através dos exercícios espirituais

Inácio de Loyola e o caminho da liberdade, através dos exercícios espirituais

“Aqueles que vivem os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de modo autêntico experimentam a atração e a face de Deus, retornam renovados e transformados ao seu cotidiano, ao seu ministério e às suas relações diárias”, declarou o Papa Francisco. Ele é o primeiro Papa jesuíta da história da Igreja e sua eleição atraiu a atenção de muitas pessoas para a espiritualidade inaciana.

Quem foi Inácio de Loyola: Inácio de Loyola, nascido Íñigo López, nasceu em 23 de outubro de 1491, Azpeitia, Espanha; faleceu em 31 de julho de 1556, Roma, Itália, foi o fundador da Companhia de Jesus, uma ordem religiosa católica romana que teve grande importância na Reforma Católica, cujos membros são conhecidos como os jesuítas.

Em 1506, quando tinha aproximadamente 15 anos, Inácio colocou-se a serviço de Juan Velázquez de Cuéllar, ministro do Tesouro Real durante o reinado de Fernando de Aragão. Tornou-se exímio cavaleiro, mostrando inclinação pelas aventuras militares, participando de vários combates militares. Alguns historiadores dizem que foi um moço muito bonito e charmoso e um tanto autoritário. Ir para a batalha, estar à frente carregando a  bandeira do rei era a sua vida. Assim era a vida de Inácio, na corte, nas batalhas, levando uma vida mundana. Até que... aqui, coloco três pontos fortes na vida de Inácio: 1- A Conversão o Encantamento - Em 20 de maio de 1521foi ferido em batalha. O grave ferimento foi fundamental para a mudança radical que aconteceria em sua vida. Durante o período de convalescência no Castelo de Loyola, como não havia livros de Cavalarias, seus preferidos, Inácio dedicou-se à leitura de Vida de Cristo, escrita por Ludolfo da Saxônia, e de uma coletânea Vida dos Santos. Foi após o contato com os livros religiosos que ele percebeu, com atenção e paciência, que as ambições mundanas lhe causavam alegrias efêmeras, meros prazeres, ao passo que a entrega a Jesus Cristo lhe enchia o coração de alegria duradoura. Se antes era movido por desejos de honra e glória, agora percebe movimentos interiores diversos, uns para a glória do mundo, outros para o caminho dos santos. Ele, “sem ter conhecimento das coisas interiores espirituais”, vive um processo de transformação marcado pela diversidade de pensamentos e sentimentos, que o levam a descobrir a diversidade de moções e de espíritos que as causam.  Essa consolação foi, para Inácio, um sinal de Deus. Aconteceu o encantamento para as coisas de Deus e o processo da conversão teve início.  Já recuperado e com o forte desejo de mudanças em sua vida, Inácio decidiu partir rumo a Jerusalém. Saindo de Loyola, seguiu em peregrinação para Montserrat. No caminho, doou suas roupas de fidalgo a um pobre, passando a usar trajes rústicos. A espada foi deixada no altar da Igreja de Nossa Senhora de Montserrat, após uma noite de oração. Em Manresa, Inácio abrigou-se em uma cova. Vivendo como eremita e mendigo, passou pelas mais duras necessidades. Costumava visitar o hospital e levar comida para os doentes. Inácio seguia fazendo suas mortificações e sendo muito rígido consigo mesmo, ainda tinha uma idéia de um Deus Militar!  Em Manresa, teve diversas experiências espirituais e visões e também passou por diversas provações internas: o desânimo, a aflição e a "noite escura da alma" (termo cunhado por São João da Cruz, referente às vicissitudes decorrentes do estado de espírito entre a incerteza e a dúvida quanto à fé). Passadas estas provações, teve o ânimo renovado diante de novas experiências espirituais. A fé mais madura, reforçava sua conversão a face de Deus ia se revelando para ele. 2 – Discernimento - Também em Manresa, às margens do Rio Cardoner, fez uma experiência mística, teve um profundo encontro com Deus Misericórdia. Nesse “encontro” Inácio perguntou:  “Qual a melhor maneira de servir ao Senhor?” Ele havia lido alguns livros sobre a vida de Cristo e a vida dos santos, e isso mexeu muito com ele. Até então, ele imaginava se São Bernardo conseguiu isso, eu posso fazer também… Se São Francisco conseguiu isso, eu também posso fazer, e assim sucessivamente, mas não fazer como os santos fizeram, Inácio quis ir descobrindo a vontade de Deus nele. Inácio teve todo o entendimento do desejo de Deus para a sua vida. Com essa experiência, descobre o caminho da vida verdadeira. O que é diferente na espiritualidade inaciana são as regras do discernimento. Essa é a marca registrada dos Exercícios Espirituais, um modo de oração em que eu vou discernindo, na expressão de Inácio, as consolações e as desolações, no intuito de ir conhecendo o que Deus quer na minha vida. Em Manresa escreve todas as anotações (47) de suas experiências que se transformaram no livro dos Exercícios Espirituais. 3 – Missão – Liberdade- Tornou-se Peregrino. Levar a possibilidade de mudança de vida, para a maior parte das pessoas que encontrasse. Esse passo não foi dado por coação nem por medo da condenação eterna, mas pela descoberta do tesouro maior, Deus, pelo qual vale a pena trocar tudo que antes tinha valor. Torna-se indiferente às coisas que não o levavam à Deus, gesto de profunda liberdade. Conhecendo a vida de Inácio e tudo o que ele fez, já podemos intuir que um homem escravo da lei e da instituição (Militar), que não pretenda mais que cooptar seguidores e seguidoras, igualmente escravos, não poderia ter tamanha fecundidade humana, espiritual e apostólica. Isso só é possível quando vem de pessoas livres, felizes e realizadas. Desse modo, “os Exercícios nasceram da experiência na qual Inácio resolveu, por sua própria conta, o problema da sua liberdade na história”

Inácio de Loyola através dos Exercícios Espirituais também contribui para o nosso autoconhecimento, quando fala das afeições desordenadas. Enxergo o mundo, as pessoas, acontecimentos e situações a partir da desordem afetiva que existe em mim. Os Exercícios são para que a pessoa coloque ordem nos seus afetos e, a partir daí, possa compreender a vontade de Deus, porque muitas vezes Deus está mostrando um caminho através de situações, pessoas, filmes, livros, etc, mas na minha ótica eu estou vendo distorcido, não consigo perceber a vontade de Deus em mim. Uma vez que eu coloco ordem no meu interior, começo a ter a noção exata das coisas.

Conclusão: Respondendo à pergunta que não quer calar...  Por que Exercícios espirituais? Porque é exatamente isso, um exercício que eu faço no Espírito. Apesar de ser um método bem rigoroso, silêncio, disciplina, fidelidade, Inácio deixa um sabor de liberdade. Não sou nem estou obrigado a fazer aquilo, mas se eu quero atingir um objetivo, me obrigo a fazer. É igual ao atleta que vai disputar uma olimpíada. Se for da natação, tem um tipo de exercício, se for do vôlei tem outro tipo. Para cada modalidade existe um exercício. Se você quer se conhecer espiritualmente, também tem que se propor a fazer um exercício a partir da sua vida, da sua situação concreta diante da Palavra de Deus. . Um de seus frutos é a profunda experiência de liberdade.  Essa é a proposta: colocar a sua vida diante da palavra de Deus, e a palavra de Deus trazer respostas à sua vida. Leva o tempo de uma vida, porque continuamente a vida vai mudando, Deus é dinâmico e trazendo novas perguntas que vão exigir novas respostas. Eu não paro de me exercitar nunca

 

 

 

 

 

 

 

 

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