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Pentecostes: do vento impetuoso ao grito amoroso de Deus!

Pentecostes: do vento impetuoso ao grito amoroso de Deus!

As raízes de Pentecostes estão na antiga Festa das Colheitas, também chamada de Festa das Semanas, que é uma das mais importantes para Israel. O povo dependia da agricultura para a vida e, na alegria de uma colheita bem feita, realizava-se uma grande celebração, levando todo o excedente para ser distribuído para as tribos mais pobres e agradecendo a Deus por sua bondade por nós. Mesmo que semeadura tivesse sido feita em lágrimas (Sl 126,5-6), o amor de Deus traz um sorriso ao recolher os frutos do trabalho humano.

A vinda do Espírito Santo em Pentecostes (At 2) é feita em momento de lágrimas: a comunidade cristã não estava cumprindo sua missão de anunciar o Evangelho a todo o mundo, porque ainda faltava a força do alto. Geralmente, temos a imagem de que um vento vindo do céu sacudiu o cenáculo onde os discípulos estavam como sinal da chegada do Espírito, mas o texto bíblico diz outra coisa: “De repente, veio do céu um ruído, como o agita-se de um vendaval impetuoso”. No meio das orações silenciosas, o amor de Deus grita do alto! Trata-se de um chamado para que esses primeiros cristãos saiam para colher os frutos da entrega e ressurreição de Jesus...

Essa voz de Deus não fica como um trovão, bradando do alto, mas desce no formato de línguas de fogo (o fogo é sinal de Deus em muitas passagens bíblicas), para que cada membro da comunidade cristã seja anunciador desse amor e saia com coragem para tornar sua vida uma grande festa de amor. Todos colhem o amor e, ao mesmo tempo, recebem a missão de plantar ainda mais amor. O amor é a língua do Espírito que une, amarra a vida na dinâmica do Reino de Deus.

O profeta Oséias já havia dito que o que semeia vento, colhe tempestade (Os 8,7), mas que semear a justiça tem como resultado colher de acordo com o amor (Os 10,12). Nesse Pentecostes, mais do que desejar um vento impetuoso que nos arrebate, precisamos escutar a voz de Deus que grita seu amor dentro de nós e de nossa comunidade. Junto disso, devemos permitir que nossa língua receba a linguagem do Espírito, para que sejamos semeadores da justiça e da bondade e, assim, colhamos os frutos do Reino de Deus, que nos levam à verdadeira felicidade.

Fabrizio Zandonadi Catenassi

Doutor em Teologia | Professor de Sagrada Escritura

 

Para saber mais:

Sobre a festa das colheitas, leia Ex 34,22; Lv 23,15-21; Nm 28,26-31.

Sobre Pentecostes, leia At 2.

Viver em Cristo
Fabrizio Zandonadi Catenassi
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Teólogo, oferecendo formações bíblicas e de espiritualidade no Brasil e na América Latina. Doutor em Teologia, professor e pesquisador na área de Sagrada Escritura (PUCPR e FAVI) e membro da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica.

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